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Por Thiago Ermano | 11 de fevereiro de 2021

Com a chegada da pandemia mundial de COVID-19, muitos setores econômicos foram afetados pela falta de matérias-primas. Um deles é o setor de embalagens. Como especialistas observam a falta de papelão para a produção de embalagens e caixas utilizadas nos transportes de frutas? E quais alternativas (inovadoras e criativas) já temos disponíveis no mercado nacional e global?

Nathalie Vanegas/Arquivo

Pensando nessas questões o canal Fruits of Brazil ouviu a especialista em exportação de frutas brasileiras Nathalie Vanegas, CEO da AMMANA Native Brazilian Fruit Export, que faz uma análise geral do último semestre e projeta informações e cuidados futuros para a cadeia produtiva de hortifruti evitar prejuízos, inclusive nos negócios internacionais.

De acordo com Nathalie, a crise gerada pela pandemia fez com que o papel estivesse entre as matérias-primas mais afetadas, aumentando consideravelmente o tempo de prazo de entrega e preço do papelão.

“Esse problema impactou diretamente o setor de exportação de frutas que depende dessas embalagens para a produção de caixas e de cantoneiras, essenciais para quem vende para o mundo inteiro, que é o caso de empresas brasileiras”.

Ouvimos, também, Manuel Alcalá, CEO da fabricante e líder mundial em embalagens de papel Smurfit Kappa Brasil, que enxerga uma conjuntura de fatores para o impacto global. Segundo o executivo, o setor de embalagens não foi tão afetado pela pandemia como se previa.

“Na verdade, foram outros fatores que impactaram o setor de maneiras diferentes: em primeiro lugar, observamos uma redução da coleta seletiva de papelão, uma vez que as cooperativas foram fechadas, impactando o trabalho dos catadores; além disso, aproveitando o período de demanda mais fraca, foram feitas manutenções preventivas nas máquinas de papel de várias indústrias, o que diminuiu a produção nacional.”

Ainda de acordo com Alcalá, a cadeia de suprimento de matérias-primas em geral, como plástico, vidro entre outros também estão impactados. Mas quando o assunto é papelão, existem outras questões, tais como a retomada do mercado, observada em julho, e por causa da valorização do dólar, as exportações de papel subiram e culminaram na falta do material no mercado nacional.

“A falta de papel é um problema que está afetando praticamente todos os países e a consequência é o aumento dos preços do material”, diz o executivo.

Apesar do perceptível impacto em mercados, além do mercado das frutas, esse movimento não irá atrapalhar o fornecimento de embalagens e caixas para transporte aos clientes da Smurfit Kappa, afirmou o executivo à reportagem. “Buscamos matéria-prima no Brasil e no exterior, pois estamos presentes em 35 países e somos um grupo conectado”.

Manuel Alcalá/Arquivo

Papelão e a dependência do mercado internacional

O Brasil voltará a sofrer com a escassez de matéria-prima, em diversos setores? Talvez, devido a dependência internacional, que muitas vezes oferta produtos e soluções bem mais em conta do que os oferecidos internamente, aliada à permanência do isolamento social, o que demanda muito mais compras online, delivery e soluções embaladas e que cheguem prontas na porta da casa do brasileiros pode trazer outras formas de escassez de materiais. O mercado que produz, importa ou utiliza em larga escala o papelão é um deles. Mas existem alternativas!

Nathalie Vanegas está acostumada a exportar produtos para 10 países do mundo e explica que cada mercado e cada cliente tem uma caixa especifica, pois existem variedades. “Um exemplo está na manga Kent, que precisa vir em uma embalagem de 6 Kg, com tampa e fundo a garantir uma ventilação adequada. Já, as mangas que vão via marítimo, como a Tommy e Palmer, são mais favoráveis para exportação em caixas de 4 Kg.”

“A falta de papelão dificulta muito as exportações e padronizações. Algumas vezes não é questão de estética, mas de funcionalidade e adequação aos padrões de qualidade internacionais”, analisa.

As visões entre quem exporta e quem produz papelão são distintas – porém, complementares em algumas opiniões. Alcalá garante que o Brasil é líder mundial de soluções de embalagens e um dos maiores produtores de papel e papelão, então, é possível dizer que não há dependência chinesa para abastecimento do mercado nacional. “Agora, especificamente sobre o mercado de papelão, em novembro de 2020, a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado somou 337.515 toneladas, um crescimento de 4,23% na comparação com o mesmo mês em 2019, segundo dados da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO)“, disse à reportagem.

Para Nathalie, a dependência do Brasil (e mundo) das indústrias chinesas e indianas que produzem papelão é uma realidade que pode ser positiva com a abertura de indústrias locais, mas ainda observa no dia a dia a dependência desses países. Isso porque existem lugares pelo mundo onde o custo de produção de caixas é mais baixo, e algumas empresas produtoras de embalagens mandam produzir na Índia e China e importam para o Brasil.

“Esse modelo se torna interessante quando o câmbio é favorável e o dólar não está tão alto para importar as caixas. Por outro lado, ser dependente de indústrias localizadas em mercados exteriores não é sempre bom, visto que o país importador fica sujeito a flutuação de preço – e pode sofrer riscos externos não controláveis”, alerta Nathalie da AMMANA.

Ter produção própria de embalagens, papelão permite gerar emprego e pode assegurar um fornecimento constante, além de trazer mais confiança e apoio às empresas exportadoras, indica aos vendedores.

Atualmente, a Thermo Box da Smurfit Kappa está disponível em vários países da Europa (Sala de Imprensa)

E se não tem papelão, qual seria a alternativa para não paralisar as vendas internacionais de frutas?

Algumas empresas estão encontrando soluções em utilizar caixas genéricas ou “emprestadas” de outras marcas, como fez a a brasileira Sunshine Internacional, que trabalha com exportação de frutas tropicais para os mercados de Canadá, França e Reino Unido.

“Esse é outro exemplo criativo de empresa que teve que avisar a todos os seus clientes que outras caixas de marca diferentes iam ser usadas, para evitar prejuízo de imagem. Outras empresas conseguiram antecipar esse problema e pediram com antecedência a produção e a entrega de embalagens, como me relatou uma executiva da empresa Andrade SunFarms, produtora e exportadora de citrus, permtindo seguir com as exportações e ter condições para esperar um prazo de dois a três meses para receberem novas caixas”.

Ainda, segundo o executivo da Smurfit Kappa Brasil, as caixas de papelão são uma tendência global para o mercado de hortifrúti, não apenas por serem sustentáveis, mas também pela relação custo-benefício das embalagens, que são especialmente desenvolvidas, já levando em conta o sistema logístico e as melhores maneiras de proteger os produtos.

“esse momento de alta demanda mundial de matéria-prima exige um melhor planejamento dos produtores, fazendo com que as empresas produtoras de frutas façam suas compras de embalagens com maior antecedência, para evitar o desabastecimento”, esclarece.

Quais alternativas empresas brasileiras, atuantes em outros países, estão buscando para reduzir os impactos da falta de embalagens?

Existem outros sistemas praticados por empresas exportadoras, com filiais em países, como Espanha e Portugal. É o que fez a Sweet Brasil, empresa que utiliza um sistema de drawback com produção de caixas em Portugal.

“Dessa forma não há a necessidade de importação e reduzem-se impostos. O melhor é que as exportações das mangas ocorrem muito bem, sendo o mesmo país-destino da produção das caixas”, orienta a executiva da AMMANA.

Questionada sobre os impactos da falta de embalagens e de caixas de papelão, nesse período de pandemia global, no qual há consumo excessivo de papel e plástico e altas demandas de exportações internacionais, Nathalie Vanegas indica que houve perdas de faturamentos e de alimentos.

“A falta de embalagens levou algumas empresas a perderem até mais de 250 toneladas de produto, que foram escoados no mercado nacional, o que gera um prejuízo financeiro e social. Durante esse período as empresas param de gerar empregos, também”.

Tendo dificuldades em alterar rapidamente a forma de embalar e transportar produtos sensíveis, como são frutas, outras empresas tentam trabalhar no mercado interno com produto a granel ou em contentores de plástico (caixas plásticas), mas essa forma de condicionar a fruta não se mostrou viável às exportações.

A imagem de alimentos descartados em lixões, feiras e centros de distribuição é uma cena comum nos dias atuais. Durante a pandemia não foi diferente (Ilustração/Folhapress)

Seria esse uma momento de inovação, para exportadores descobrirem outras formas de embalar, conservar e transportar frutas, deixando de lado o papelão?

Segundo a especialista da AMMANA, sim! “Qualquer crise leva sempre à busca criativa e caminha para o desenvolvimento de inovações, para os mercados localizarem soluções e descobrirem materiais diferentes, que podem ser implementados na produção de caixas ou armazenadores eficazes”, afirma Nathalie.

Alcalá diz que, em primeiro lugar está a sustentabilidade, que vem influenciando cada vez mais a decisão de compra do consumidor. “O papelão é 100% reciclável, reutilizável e biodegradável”, afirma. “O outro motivo que faz do papelão a melhor opção de embalagens para exportação de frutas é a alta tecnologia para garantir a conservação dos produtos, com papel e design desenvolvidos especialmente para aguentar a cadeia do frio e longas viagens, mantendo a ventilação necessária”.

Exportação de frutas brasileiras em 2021 apresenta tendência de alta, mas cuidar da forma de envio dos produtos mais sensíveis está no radar da AMMANA (NorthSur)

Tendência para 2021: drawback, placas de papelão e reciclagem

Saber antecipar os problemas que podem surgir com crises é sempre bom para ter um tempo de antecipação na gestão dos estoques e poder ter tempo de achar soluções sem ser prejudicado.

A executiva da AMMANA indica aos clientes e exportadores: “O uso do sistema de drawback deve ser mais ampliado para permitir criar acordos mais fortes com grandes empresas importadoras que desejam trabalhar com marca própria. Precisa se finalmente investir constantemente na pesquisa e desenvolvimento para desenvolver materiais melhores, mais tecnológicos, mais resistentes e mais leves”, conclui a especialistas, que exporta frutas tropicais brasileiras para diversos países da Europa, Ásia Central, Oriente Médio e Estados Unidos.

E de acordo com o Fernando Muniz – que trabalha há mais de 20 anos para indústrias produtoras embalagens e é representante de diversas empresas – existem projetos e soluções inovadoras que estão em desenvolvimento, atualmente. No transporte, geralmente, são utilizadas placas de isopor no lugar de miolo de papelão.

“A inovação está em mudar o material que é colocado entre as duas camadas de papelão – tão necessário para dar a rigidez na carga de alimentos comercializados.”

“Além disso, o segmento de reciclagem no Brasil precisa ser fortalecido, apoiando o trabalho dos catadores e das cooperativas para evitar o desperdício dessa importante matéria-prima da indústria, o que irá impactar no aumento do suprimento de papel, beneficiando toda a cadeia e o meio ambiente”, conclui o CEO da Smurfit Kappa Brasil.

Sobre a AMMANA Native Brazilian Fruit Export: É uma consultoria e assessoria estratégica franco-brasileira, que fornece a clientes internacionais frutas tropicais diretamente dos produtores do Brasil. São mais de 10 países atendidos ao redor do mundo, onde consumidores já contam com nossos sabores tropicais.

Por meio de uma qualificada rede de negócios a equipe da AMMANA garante os mais exigentes padrões de qualidades na exportação de frutas, concentrados e polpas, disponibilizando atendimento em português, inglês, francês, espanhol e árabe. Para conhecer o trabalho da consultoria e empresa de inteligência internacional, acesse: www.ammana.com.br

Sobre a Smurfit Kappa Brasil: Empresa global inaugurou, em dezembro de 2020, uma nova máquina em uma de suas fábricas, que permitiu um aumento médio de 20% na capacidade de produção de embalagens nesta unidade, a fim de atender aos clientes de maneira mais rápida e com alta qualidade de impressão (High Graphic). Executivos da companhia afirmaram que, próximos três anos, o Grupo Smurfit Kappa seguirá investindo no Brasil, a fim de garantir o fornecimento contínuo a todos os clientes. Para conhecer o trabalho da Smurfit, acesse: https://www.smurfitkappa.com/br

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